As palavras que sempre guardarei...

A principio era o verbo:-folhas de papel esvoaçantes,feitas pássaros de papel a poisar-me nas mãos,a ensolarar-me os dias,a recuperar-me o sorriso há muito perdido,nenúfares brancos a inundar-me o olhar  e jorros de água cristalina a lavar a memória cansada de ser pântano,restos de folhas mortas,páginas amarrotadas das cheias diluvianas da vida,engolida trago a trago,esvaziada copo a copo,ampulheta a esvaziar-se em parte incerta,queima de incenso a esvair-se corpo a corpo: onde poisava,só fogo,fumo e cinza e nada...

A principio era o verbo:-papel de seda impresso a sonhos,letras suaves traçadas laboriosamente dentro do peito,riscando sóis nos meus fins de tarde de borrasca,arco íris a entrar-me  sonhos dentro,a aquecer-me os dias,travesseiro de penas feito pássaro colorido a cantar músicas  suaves dias fora,afago doce de asa na minha vida.E do verbo se fez voz.E da voz se fêz corpo.E os dias encheram-se de sonhos;e eu quiz renascer,contigo e de mim.Meti o arado à terra dos sonhos,lavrei de sol a sol,estraguei alguns canteiros, (impericia de lavrador pouco habituado às lavras do amor),mondei as ervas daninhas que me tolhiam a ternura e o desejo,abri caminhos onde possamos caminhar lado a lado,calmamente...mas morro aqui,solitáriamente  em cada pedaço de nós.Não há  lugar para mim na arca deste dilúvio...

publicado por Aga às 12:57
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